terça-feira, 4 de outubro de 2011

Mais um causo

E nunca mais se viu Rafael. Moço bonito. Boa passada. Nunca mais foi visto desde o dia da sova no “Granjeiro”. Dia em que jurou casamento a  Ana Barrero. Moça vistosa. Também nunca mais foi vista. Tem gente que diz por aí que fugiram juntos. Eu duvido. Moça conformada. Jamais teria coragem de enfrentar o pai “Barrerão”. Fazendeiro por profissão. “Bulinador” de mocinhas por convicção. Nunquinha, jamais deixaria filha sua na mão de qualquer malandro. Muito menos Rafael. Conquistador barato. Conhecido na cidade. Terror das famílias distintas. Mas quem diria? Rafael tinha coração. E foi pego no laço. Caiu na graça da moça vistosa. Ela também. Gostou do rapaz. Moço bonito. Dizem que pretendiam se casar. Depois que a notícia correu. O pai da moça tomou providência. Combinou uma sova pro rapaz. E naquele mesmo domingo, durante o forró no Granjeiro, o rapaz foi chamado pra fora. E a sova comeu. Rafael aprendeu a lição. Depois disso, só acharam um bilhete no seu quarto na pensão. Tava escrito: “Se num for Ana, será então Rita, Maria, Joana... Caio de novo no mundo. Não volto aqui jamé!” Ana Barrero se revoltou. E pro pai, nunca mais olhou. Renegou família e tudo. Dizem outros que, pra ofender o pai, foi morar no puteiro da cidade vizinha. E de lá se agradou e por lá se aportou. E deveras seu pai se ofendeu e deveras morreu. E nunca, nunca, nunca mais se viu Rafael. Moço bonito.

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