segunda-feira, 16 de maio de 2011

O dia “D”

Então era sexta-feira. Dia de “tirar uma” com a esposa. Sete dias de TPM. Ele sabia calcular. Já estava preparando terreno. Tentou acordar de bom humor. Deu bom dia. Comprou pão quentinho. Deu beijinhos e saiu antes dela para os preparativos. Notou que ela estava um pouco distante, mas nada que duas taças de vinho não resolvessem.

Enfim era sexta-feira. Dia de faxineira. Ela olhava pro relógio, eram oito e um. Ela já devia ter chegado. Respondeu ao bom dia do marido, sem perceber suas intenções. Correspondeu aos beijinhos e nem notou que o pão estava quentinho. Ufa! Claudinete chegou! Abriu um sorriso como se nada mais no mundo importasse. E de propósito e por puro prazer deixou uma xícara suja em cima da pia.

Ele passou o dia concentrado em seu propósito. Reservou o restaurante (embora tenha levado horas para convencê-la a ir). Encomendou flores. Custaram os olhos da cara, mas como um adolescente em início de namoro, esperava um bom retorno. Cortou o cabelo, fez a barba (ela sempre reclamava que pinicava). Engraxou os sapatos. Comprou uma cueca nova.

Ela passou o dia cantarolando. Imaginava a casa brilhando e cheirosa. Ligava de quando em quando pra saber do progresso. Estava satisfeita. Almoçou naquele restaurante tailandês que amava. Ligou de novo pra Claudinete, “Não se esqueça de colocar o tapetinho novo na porta de entrada”. Foi se encontrar com ele para jantar. Não entendia pra quê aquilo, afinal, Claudinete cozinha tão bem, iria pedir pra ela preparar alguma coisa pra eles. Depois de muito falar, ele a convenceu. Foi jantar. No fim seria até melhor, não teria louças pra lavar.

Jantaram. Entrada, prato principal, sobremesa, vinho, brindes... Ele lançando indiretas. Ela olhando o relógio. Ele acreditou que ela desejava ansiosamente a cópula. Pediu a conta.

Ela foi direto pro banho. Ele achou que ela se preparava para ele. Jogou pétalas de rosa da porta do banheiro até o quarto. Marcou o caminho para o coito. Ela saiu do banheiro, viu as pétalas e pensou: “Aquele puto de cachorro! Aposto que destruiu o meu arranjo da mesinha de canto. Depois dou uma sova nele.” Chegou ao quarto, ele a aguardava com uma flor na mão, um olhar de desejo, um sorriso safado e cueca nova. Ela abriu um lindo sorriso de satisfação e prazer. Largou a toalha que cobria seu corpo. Pulou na cama como uma menina arteira... “Oba! Dia de lençóis limpos!”

3 comentários:

Nina disse...

ooohh que bom que terminou em paz e amor, já tava ficando receosa :-)

Anônimo disse...

Até parece que homem faz isso tudo por uma foda. O máximo que eles fazem é a barba. Nem se preocupam em lixar o pé pra não ficar arranhando a gente na hora. Se o meu ao menos oferecesse uma massagem de "livre e espontânea" vontade no momento pré cópula eu já me dava por convencida. É por isso que eu tenho amante.Aff!

Marsyah disse...

Anônimo, você tem razão, depois de um tempo, nem gastam mais com a gente. Se alguem dispensasse e/ou desprezasse um destes assim, eu ia pegar pra mim.

Abraço, volte sempre!